Plantão Uruaçu 24hrsPlantão Uruaçu 24hrsPlantão Uruaçu 24hrs
  • Home
  • Brasil
    BrasilMostre mais
    entenda:-stf-encerra-sessao-sem-definir-casos-sobre-moraes-e-mendonca
    Entenda: STF encerra sessão sem definir casos sobre Moraes e Mendonça
    15 de setembro de 2026
    stf-provocou-mal-estar-civico-na-populacao,-diz-carmen-lucia
    STF provocou mal-estar cívico na população, diz Cármen Lúcia
    15 de setembro de 2026
    livro-com-textos-de-pierre-verger-sera-lancado-amanha-em-sao-paulo
    Livro com textos de Pierre Verger será lançado amanhã em São Paulo
    15 de setembro de 2026
    apoiado-pela-ebc,-evento-debate-desenvolvimento-do-futebol-feminino
    Apoiado pela EBC, evento debate desenvolvimento do futebol feminino
    15 de setembro de 2026
    paulo-gonet-nega-proximidade-com-daniel-vorcaro
    Paulo Gonet nega proximidade com Daniel Vorcaro
    15 de setembro de 2026
  • Internacionais
    InternacionaisMostre mais
    paises-do-golfo-persico-cancelam-reuniao-sobre-reabertura-de-ormuz
    Países do Golfo Pérsico cancelam reunião sobre reabertura de Ormuz
    14 de setembro de 2026
    arabia-saudita-paralisa-oleoduto,-e-houthis-controlam-mar-vermelho
    Arábia Saudita paralisa oleoduto, e houthis controlam Mar Vermelho
    12 de setembro de 2026
    com-ira-e-emirados-arabes-no-bloco,-brics-pede-calma-no-oriente-medio
    Com Irã e Emirados Árabes no bloco, Brics pede calma no Oriente Médio
    12 de setembro de 2026
    11-de-setembro:-apos-25-anos,-imagens-do-atentado-ainda-chocam-o-mundo
    11 de setembro: após 25 anos, imagens do atentado ainda chocam o mundo
    11 de setembro de 2026
    brasil-vai-ao-sudoeste-asiatico-mirando-virar-parceiro-pleno-da-asean
    Brasil vai ao Sudoeste Asiático mirando virar parceiro pleno da Asean
    10 de setembro de 2026
  • Região
    RegiãoMostre mais
    mega-sena-acumula-para-r$-102-milhoes;-confira-os-numeros-sorteados
    Mega-Sena acumula para R$ 102 milhões; confira os números sorteados
    15 de setembro de 2026
    mega-sena-sorteia-premio-de-r$-95-milhoes-nesta-terca-feira
    Mega-Sena sorteia prêmio de R$ 95 milhões nesta terça-feira
    15 de setembro de 2026
    cacique-raoni,-de-94-anos,-recebe-cuidados-paliativos-em-mato-grosso
    Cacique Raoni, de 94 anos, recebe cuidados paliativos em Mato Grosso
    15 de setembro de 2026
    greve-nos-correios:-tst-determina-manutencao-de-80%-do-efetivo
    Greve nos Correios: TST determina manutenção de 80% do efetivo
    14 de setembro de 2026
    saiba-as-novas-regras-da-anac-para-passageiros-indisciplinados
    Saiba as novas regras da Anac para passageiros indisciplinados
    14 de setembro de 2026
  • Esportes
    EsportesMostre mais
    fluminense-leva-susto,-mas-e-1o-classificado-a-semi-da-libertadores
    Fluminense leva susto, mas é 1º classificado à semi da Libertadores
    15 de setembro de 2026
    brasileirao-feminino:-tv-brasil-exibe-semifinal-bahia-x-corinthians
    Brasileirão Feminino: TV Brasil exibe semifinal Bahia x Corinthians
    15 de setembro de 2026
    ebc-participa-de-evento-internacional-sobre-futuro-do-futebol-feminino
    EBC participa de evento internacional sobre futuro do futebol feminino
    14 de setembro de 2026
    guilherme-schimidt-e-ouro-e-pais-fecha-grand-slam-de-judo-com-3-podios
    Guilherme Schimidt é ouro e país fecha Grand Slam de judô com 3 pódios
    13 de setembro de 2026
    brasil-e-campeao-do-pre-olimpico-e-garante-vaga-em-los-angeles-2028
    Brasil é campeão do Pré-Olímpico e garante vaga em Los Angeles 2028
    13 de setembro de 2026
  • Politica
    PoliticaMostre mais
    veja-como-foi-a-terca-feira-(15)-dos-candidatos-a-presidente
    Veja como foi a terça-feira (15) dos candidatos a presidente
    15 de setembro de 2026
    “tiktokizacao”-e-crise-sufocam-propostas-de-campanha,-diz-fenaj
    “Tiktokização” e crise sufocam propostas de campanha, diz Fenaj
    15 de setembro de 2026
    confira-a-agenda-dos-presidenciaveis-nesta-terca-feira-(15)
    Confira a agenda dos presidenciáveis nesta terça-feira (15)
    15 de setembro de 2026
    flavio-e-pl-lideram-uso-de-conteudos-feitos-por-ia,-diz-observatorio
    Flávio e PL lideram uso de conteúdos feitos por IA, diz observatório
    15 de setembro de 2026
    ciencia-ainda-nao-foi-lembrada-na-campanha-eleitoral,-diz-sbpc
    Ciência ainda não foi lembrada na campanha eleitoral, diz SBPC
    14 de setembro de 2026
  • Economia
    EconomiaMostre mais
    bets-reduzem-consumo-e-atividade-economica,-diz-pesquisa-da-usp
    Bets reduzem consumo e atividade econômica, diz pesquisa da USP
    15 de setembro de 2026
    sancionado-regime-especial-para-incentivar-instalacao-de-datacenters
    Sancionado regime especial para incentivar instalação de datacenters
    15 de setembro de 2026
    tesouro-honra-r$-79,95-mi-em-dividas-de-estados-e-municipios-em-agosto
    Tesouro honra R$ 79,95 mi em dívidas de estados e municípios em agosto
    15 de setembro de 2026
    vendas-no-comercio-caem-0,8%-em-julho,-com-ressaca-da-copa-do-mundo
    Vendas no comércio caem 0,8% em julho, com ressaca da Copa do Mundo
    15 de setembro de 2026
    brasil-deve-dobrar-investimentos-para-zerar-deficit-em-infraestrutura
    Brasil deve dobrar investimentos para zerar déficit em infraestrutura
    15 de setembro de 2026
  • Educação
    EducaçãoMostre mais
    pnd-2026:-participantes-farao-prova-neste-domingo-em-todo-o-pais
    PND 2026: participantes farão prova neste domingo em todo o país
    15 de setembro de 2026
    revalida-2026/2:-prazo-de-envio-de-diploma-medico-termina-dia-19
    Revalida 2026/2: prazo de envio de diploma médico termina dia 19
    15 de setembro de 2026
    prova-que-avalia-formacao-medica-ocorre-neste-domingo-em-todo-pais
    Prova que avalia formação médica ocorre neste domingo em todo país
    13 de setembro de 2026
    enamed-2026:-prova-que-avalia-formacao-medica-sera-neste-domingo
    Enamed 2026: prova que avalia formação médica será neste domingo
    11 de setembro de 2026
    aulas-serao-suspensas-no-df-nas-sextas-feiras-antes-das-eleicoes
    Aulas serão suspensas no DF nas sextas-feiras antes das eleições
    11 de setembro de 2026
  • Policia
    PoliciaMostre mais
    seguranca-vai-ser-reforcada-em-julgamento-de-moraes-no-stf
    Segurança vai ser reforçada em julgamento de Moraes no STF
    14 de setembro de 2026
    irmaos-desparecidos-no-ma-nao-estao-entre-criancas-resgatadas-nos-eua
    Irmãos desparecidos no MA não estão entre crianças resgatadas nos EUA
    10 de setembro de 2026
    pf-pedira-inclusao-de-irmaos-desaparecidos-no-ma-em-lista-da-interpol
    PF pedirá inclusão de irmãos desaparecidos no MA em lista da Interpol
    9 de setembro de 2026
    policia-civil-do-rj-faz-operacao-contra-venda-online-de-abortivos
    Polícia Civil do RJ faz operação contra venda online de abortivos
    9 de setembro de 2026
    pm-vinicius-costa-silva-e-preso-suspeito-de-assassinar-esposa
    PM Vinícius Costa Silva é preso suspeito de assassinar esposa
    9 de setembro de 2026
Buscar
Leitura: Polilaminina: entenda a esperança e os testes ainda necessários
Compartilhar
Redimensionador de fonteaa
Plantão Uruaçu 24hrsPlantão Uruaçu 24hrs
Redimensionador de fonteaa
Buscar
  • Esportes
  • Região
  • Economia
  • Internacionais
  • Brasil
  • Politica
  • Saúde
  • Policia
Siga-nos
  • Advertise
© 2022 Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Plantão Uruaçu 24hrs > Blog > Saúde > Polilaminina: entenda a esperança e os testes ainda necessários
Saúde

Polilaminina: entenda a esperança e os testes ainda necessários

Ultima atualização: 4 de julho de 2026 14:16
Por Tamara Freire - Reporter da Agencia Brasil
Compartilhar
18 leitura mínima
polilaminina:-entenda-a-esperanca-e-os-testes-ainda-necessarios
Polilaminina: entenda a esperança e os testes ainda necessários
  • Facebook
  • Twitter
  • Pinterest
  • LinkedIn
  • WhatsApp

A pesquisa com a polilaminina, desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a farmacêutica Cristália, alcançou grande visibilidade nos últimos dias. No entanto, algumas perguntas ainda precisam ser respondidas para que se possa afirmar sem dúvida que a substância é capaz de ajudar pessoas com lesão medular a recuperar seus movimentos. 

Apesar de os trabalhos, liderados pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho, terem sido iniciados há mais de 25 anos, a maior parte desse tempo foi dedicada aos testes em laboratório, uma etapa essencial chamada de fase pré-clínica.

Além de estudar as moléculas de polilaminina, a equipe precisou verificar primeiro se a substância produzia algum efeito em culturas de células e em animais, antes de testá-la em humanos. 

O que é a polilaminina?

A substância foi descoberta por acaso pela professora Tatiana Sampaio, quando ela tentava dissociar as partes que compõem a laminina, uma proteína presente em várias partes do nosso corpo.

Ao testar um solvente, ela viu que, ao invés de se partir, as moléculas de laminina começaram a se juntar umas com as outras, formando uma rede, a polilaminina. Essa junção ocorre no organismo humano, mas nunca tinha sido reproduzida em laboratório.

A partir daí, Tatiana passou a pesquisar possíveis usos para a rede de lamininas e descobriu que, no sistema nervoso, essas proteínas atuam como base para a movimentação dos axônios, partes dos neurônios parecidas com caudas, responsáveis pela transmissão de sinais elétricos e químicos. 

Quando ocorre uma fratura na medula, os axônios são rompidos, o que interrompe a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo, a partir do ponto em que foi o ferimento. Essa ruptura é a causa da paralisia.

Normalmente, as células do sistema nervoso não são capazes de se regenerar sozinhas. O que se pretende testar, portanto, é a capacidade da polilaminina de oferecer uma nova base para que os axônios do paciente voltem a crescer e se comunicar, restabelecendo a conexão que transmite os comandos do cérebro.

Projeto-piloto

Depois de obter resultados positivos em ratos, os pesquisadores realizaram um estudo-piloto, entre os anos de 2016 e 2021, aplicando a substância em oito pessoas que sofreram lesão total em diversos pontos da medula, após queda, acidente de carro ou ferimento por arma de fogo.

Além de receber a polilaminina, sete delas passaram por cirurgia de descompressão da coluna, operação padrão em casos de lesão medular. Os procedimentos foram feitos até três dias após a lesão. 

Duas pessoas morreram ainda no hospital por causa da gravidade do quadro, e outra acabou falecendo pouco tempo depois por complicações do ferimento.

Mas os cinco pacientes que se recuperaram, receberam a polilaminina e passaram pela cirurgia de descompressão apresentaram algum ganho motor, ou seja, conseguiram movimentar partes do corpo paralisadas pela lesão. No entanto, isso não significa que todos voltaram a andar.

A melhora foi constatada pela evolução dos pacientes na chamada escala AIS, que vai de A a E, em que A é o nível mais grave de comprometimento e E é o funcionamento normal do corpo em termos de movimentação e sensibilidade. Para fazer a classificação, a equipe médica avalia a resposta a diversos estímulos aplicados em pontos chave do corpo. 

Quatro pacientes do estudo-piloto saíram do nível A para o nível C, o que significa que retomaram a sensibilidade e os movimentos, mas de forma incompleta. Uma pessoa chegou ao nível D, após recuperar a sensibilidade e as funções motoras de todo o corpo, com capacidade muscular quase normal. 

Esse paciente é Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após fraturar a coluna na altura do pescoço, em 2018. Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, Bruno contou que conseguiu mexer o dedão do pé algumas semanas após a cirurgia de descompressão, combinada com a aplicação da polilaminina. 

“Foi uma virada de chave. Na hora, pra mim, não tinha valor mexer o dedão do pé e não mexer mais nada. Mas todo mundo comemorou, e, aí, me explicaram que, quando passa um sinal do cérebro até uma extremidade, significa que o sinal está percorrendo o corpo inteiro” 

Depois disso, Bruno foi reconquistando outros movimentos e, então, iniciou um longo e intenso trabalho de fisioterapia e reabilitação na AACD, entidade paulista que é referência brasileira nesses tratamentos. Após anos de recuperação, hoje ele anda normalmente e tem dificuldade apenas em alguns movimentos das mãos. 

A experiência de Bruno e dos outros pacientes, no entanto, não basta para comprovar cientificamente a segurança e a eficácia da polilaminina. Um artigo do tipo pré-print publicado pela equipe de pesquisa com os resultados do estudo-piloto ressalva, por exemplo, que até 15% dos pacientes com lesão completa pode recuperar movimentos naturalmente. 

Além disso, o diagnóstico de lesão completa e a avaliação segundo a escala AIS, feitos logo após a fratura, podem ser influenciados por fatores como inflamação e inchaço. Por vezes, verifica-se quadros menos graves em pacientes que, inicialmente, eram apontados como casos de paralisia total. 

Ainda assim, os resultados apresentados publicamente pela equipe de pesquisa em setembro do ano passado chamaram bastante atenção. Se a eficácia da polilaminina for confirmada, a ciência brasileira terá encontrado uma solução inédita para um problema que aflige milhões de pessoas, com grande impacto sobre suas rotinas e qualidade de vida. Mas até lá, ainda há um longo caminho. 

Fase 1, 2 e 3  

O professor de Farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Eduardo Zimmer, explica que, tradicionalmente, o ensaio clínico de um novo medicamento é composto por três fases. E cada rodada de testes tem um objetivo.

“Na fase 1, a gente tem poucos pacientes, saudáveis, porque ela visa identificar se o composto é seguro e se os humanos vão tolerar receber esse tratamento. Junto com isso, tem o que a gente chama de farmacocinética. Entender como é que a droga se comporta dentro do nosso organismo, como ela entra, como ela é metabolizada e como ela é eliminada”, explica.

É nesta fase que o estudo com a polilaminina está. De acordo com a líder da pesquisa, a professora Tatiana Sampaio Coelho, os testes devem começar neste mês e ser concluídos até o fim do ano.

Mas eles terão uma diferença importante do padrão. Como a polilaminina é aplicada por injeção diretamente na medula, isso não será feito em pacientes saudáveis, mas também em pessoas com lesão medular aguda. 

“A gente vai monitorar eventos adversos para verificar se eles são os esperados, exames neurológicos para verificar se tem alguma deterioração, e temos também vários exames de sangue para ver se tem alguma toxicidade hepática ou renal. Isso vai ser comparado com a história natural provável para aquela pessoa, que é um paciente grave, e com outros estudos”, complementa Tatiana. 

Conforme aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a substância será aplicada em cinco pacientes voluntários. Eles precisarão ter idades entre 18 e 72 anos e lesões agudas completas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10, com indicação cirúrgica ocorrida há menos de 72 horas da lesão. O procedimento será feito no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. 

Mas o estudo terá também outra especificidade, de acordo com a pesquisadora. “O fato de serem pessoas com lesão medular significa que os resultados de indicação de eficácia já serão emitidos desde a fase 1”. Ou seja, os pesquisadores também pretendem observar se esses pacientes apresentam melhora, o que diverge do percurso clássico.

De acordo com Eduardo Zimmer, que também é chefe de Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento e pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira e pelo programa Idor Ciência Pioneira, a eficácia de um medicamento em humanos costuma ser medida apenas a partir da fase 2, quando a quantidade de voluntários aumenta. Também é nesse momento que a equipe testa doses diferentes para encontrar a melhor formulação. 

Tatiana Sampaio adianta que duas doses diferentes serão avaliadas no caso da polilaminina, se o estudo chegar à fase 2. Já os detalhes de uma possível fase 3, a última e principal etapa para verificar se um medicamento é mesmo eficaz e produz resultados de forma consistente, ainda não estão definidos. A equipe espera concluir todas as fases de teste em cerca de dois anos e meio. 

Rio de Janeiro (RJ), 05/03/2026 – A professora Tatiana Sampaio fala sobre as pesquisas com a polilaminina, substância em testes para o tratamento de lesões medulares, no programa Sem Censura, da TV Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A professora Tatiana Sampaio fala sobre as pesquisas com a polilaminina, substância em testes para o tratamento de lesões medulares, no programa Sem Censura, da TV Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Desafios para os testes

O professor e pesquisador Eduardo Zimmer diz que, via de regra, na fase 3, a quantidade de voluntários aumenta bastante, e os testes são feitos em diversos centros.

Os participantes são divididos de forma aleatória em dois grupos, mas apenas um dos grupos recebe a substância testada, enquanto o outro servirá para a comparação do que acontece sem ela. Esse segundo é o chamado grupo controle. 

O ideal é que nem os pacientes nem os pesquisadores saibam, a princípio, quem está em qual grupo. O objetivo final é ter certeza que o remédio testado produziu um benefício que não seria obtido sem ele. 

“O grupo controle, numa patologia como essa, sempre compara a eficácia da droga em relação às outras terapias disponíveis. Você não vai parar de tratar o paciente, você trata ele com o melhor que você tem, para verificar se a droga nova faz com que o outro grupo se recupere melhor, em comparação ao melhor tratamento que já existe”, ele ressalva. 

Mas os testes com a polilaminina podem demandar procedimentos diferentes. O ex-presidente da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Jorge Venâncio, explica que normalmente os participantes de ensaios clínicos que compõem os grupos de controle ganham acesso prioritário à nova tecnologia, caso ela se prove realmente eficaz, como forma de compensação.

“Aqui, nós temos a seguinte dificuldade: o tratamento precisa ser feito num prazo relativamente curto depois do acidente que gerou o traumatismo, mas o tratamento tende a ter um resultado demorado. Então, quando o estudo se completar, provavelmente a equipe terá dificuldade de aplicar o remédio em quem tomou o comparador”, complementa Venâncio. 

Ainda que os ensaios tenham um percurso ideal, adaptações, quando justificadas, podem ocorrer, diz o ex-presidente do Conep. É o que acontece nos estudos de novos tratamentos para doenças raras, que atingem um número muito pequeno de pessoas, o que impossibilita o recrutamento da quantidade ideal de voluntários. Mas Venâncio reforça a importância do cumprimento de todas as fases de pesquisa. 

“Você não pode botar uma substância que você não sabe se vai causar dano em uma população de centenas de participantes. Por isso, você testa primeiro numa população pequena e vê se o risco é pequeno o suficiente para fazer um estudo mais amplo. Na fase dois, você já começa a testar qual é a dose adequada e, na fase três, é quando você vai testar efetivamente o efeito da substância. Quando você não tem o grupo controle, você corre o risco de chegar a uma conclusão diametralmente oposta à realidade”, diz o ex-presidente do Conep.

Ensaios clínicos serão acompanhados

A professora da UFRJ Tatiana Sampaio lembrou que, independente da avaliação dos pesquisadores, a decisão final sobre as próximas fases dos estudos com a polilaminina caberá à Anvisa e a algum comitê de ética acreditado, orgãos que precisam aprovar os ensaios clínicos no Brasil, para que eles possam ser feitos. 

A coordenadora da Instância Nacional de Ética em Pesquisa (Inaep), Meiruze Freitas, acrescenta que, mesmo depois de aprovadas, as pesquisas continuam a ser monitoradas. O comitê de ética verifica se as atividades não estão sendo prejudiciais aos participantes, e a Anvisa se certifica de que as boas práticas clínicas estão sendo seguidas. 

“A polilaminina tem um fator de esperança, porque uma lesão medular causa muitas complicações, inclusive morte. Mas a gente precisa tomar muito cuidado para não abandonar os preceitos científicos. Essas fases não são estabelecidas por burocracia, mas para que a gente possa ter dados validados, com uma avaliação isenta, passível, inclusive, de ser revistas por pares [outros cientistas], e para que a gente comprove que a tecnologia é realmente eficaz. Isso evita que a nossa população seja submetida a produtos que não são confiáveis”. 

Mas Meiruze também acredita que os órgãos regulatórios, cada vez mais, serão desafiados pelas especificidades de pesquisas que propõem soluções inovadoras.

Rio de Janeiro (RJ), 12/09/2023 – A diretora da Segunda Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Meiruze Freitas durante seminário Saúde e Soberania: o Complexo Econômico Industrial da Saúde como estratégia de desenvolvimento para o Brasil, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no centro da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A ex-diretora da Segunda Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Meiruze Freitas durante seminário Saúde e Soberania, em 2023 – Foto de Arquivo: Tomaz Silva/Agência Brasil

A coordenadora do Inaep acrescenta que eles precisam “ser estruturados e ter capacidade técnica para recepcionar e destravar as inovações de forma responsável, acompanhando qualidade, eficácia e segurança”, assim como os pesquisadores precisam de apoio para saber conduzir seus trabalhos, de acordo com as exigências. 

“Para produtos como a polilaminina, que, em tese, não tem alternativa terapêutica além da cirurgia, você poderia encurtar o desenvolvimento, inclusive permitir, de repente, um registro no Brasil com a finalização da fase 2, enquanto a fase 3 ainda está em andamento. Isso acontece para algumas doenças de alta mortalidade ou raras, que você não consegue desenvolver a fase 3”, complementa Meiruze. 

Atualmente, o principal regramento sobre o tema é a Lei 14.874, sancionada em 2024, e que promoveu algumas mudanças com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias no país. Uma das principais foi a redução dos prazos para a análise de novos estudos. A resposta dos comitês de ética deve ser dada em até 30 dias, e a da Anvisa, em 90. 

Valorização da ciência

Para a criadora da polilaminina, a professora da UFRJ Tatiana Sampaio, a redução dos entraves depende também de uma mudança de cultura.

“A gente precisaria ter uma compreensão de que investir na ciência pública é uma opção de um país que quer se desenvolver, que nós queremos ter tecnologias e não ser mais dependentes.” 

“Eu sou muito obstinada, mas, independentemente das minhas qualidades, tudo só foi possível por conta das características da minha pesquisa. Eu estava estudando um acometimento que não tem nenhuma terapia e que tem um apelo emocional particular. Além disso, é uma questão que gera muito interesse em pesquisa, então, eu tenho ferramentas que facilitam o andamento do trabalho. Juntando tudo isso, foi possível. Em qualquer outra situação não teria sido”, complementa Tatiana.

*Matéria ajustada às 12h de 10/03 para esclarecer declaração da pesquisadora Meiruze Freitas.

  • Facebook
  • Twitter
  • Pinterest
  • LinkedIn
  • WhatsApp
Revalida 2025/2: recurso de resultado preliminar vai até sexta-feira
Câncer: estudo alerta para riscos de melanoma fora da pele
Anvisa atualiza regras sobre controle de qualidade em laboratórios
Estações do Metrô de São Paulo recebem campanha de vacinação
Infecções e mortes por HIV caem, mas falta de recursos ameaça avanços
Compartilhar
O que você acha?
Amor0
Triste0
Feliz0
Com sono0
Nervoso0
Morto0
Piscar0
artigo anterior governo-reforca-sus-com-760-profissionais-em-enfermagem-obstetrica Governo reforça SUS com 760 profissionais em enfermagem obstétrica
Próximo artigo profissionais-de-saude-vencem-desafios-para-vacinacao-em-area-indigena Profissionais de saúde vencem desafios para vacinação em área indígena

Últimas notícias

bets-reduzem-consumo-e-atividade-economica,-diz-pesquisa-da-usp
Bets reduzem consumo e atividade econômica, diz pesquisa da USP
Economia
15 de setembro de 2026
sancionado-regime-especial-para-incentivar-instalacao-de-datacenters
Sancionado regime especial para incentivar instalação de datacenters
Economia
15 de setembro de 2026
tesouro-honra-r$-79,95-mi-em-dividas-de-estados-e-municipios-em-agosto
Tesouro honra R$ 79,95 mi em dívidas de estados e municípios em agosto
Economia
15 de setembro de 2026
pnd-2026:-participantes-farao-prova-neste-domingo-em-todo-o-pais
PND 2026: participantes farão prova neste domingo em todo o país
Educação
15 de setembro de 2026
Plantão Uruaçu 24hrsPlantão Uruaçu 24hrs
Siga-nos
plantao Uruacu 24hrs © 2026 Todos direitos reservados
Bem vindo de volta!

Faça login em sua conta

Username or Email Address
Password

Perdeu sua senha?